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Nenhuma escapatória do nosso mundo tecno-feudal

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A economia política da Era Digital permanece virtualmente terra incógnita. Em Technoféodalisme , publicado três meses atrás em França (ainda não há tradução), Cedric Durand, economista da Sorbonne, efectua um serviço público crucial pois examina a nova Matrix que controla todas as nossas vidas. Durand coloca a Era Digital no contexto mais vasto da evolução histórica do capitalismo a fim de mostrar como o consenso de Washington acabou por ser metastaziado no consenso de Silicon Valley. Numa reviravolta deliciosa, ele baptiza este novo bosque como a "ideologia californiana". Estamos longe do Jefferson Airplane [1] e dos Beach Boys; é mais como a "destruição criativa" de Schumpeter com esteróides, completada com "reformas estruturais" estilo FMI enfatizando a "flexibilização" do tra...

A Rússia detém a chave da soberania alemã

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Na semana passada, definimos os passos históricos e geopolíticos necessários para compreender Porque a Rússia está a enlouquecer o ocidente . Depois, sexta-feira passada, mesmo antes do início do Ano do Touro Metálico, chegou a bomba, lançada com a habitual desenvoltura pelo ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. Numa entrevista feita por Vladimir Solovyov, num popular programa de entrevistas – com a transcrição completa publicada pelo Ministério russo das Relações Exteriores – Lavrov disse que Moscovo "tem de estar preparada" para uma possível "rotura com a União Europeia". A rotura ameaçadora seria a consequência direta das novas sanções da União Europeia, em especial as "que criam riscos para a nossa economia, incluindo nas áreas mais sensíveis." Depois, o ...

Confúcio casará com Marx?

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Lanxin Xiang, erudito intelectual chinês especialista em China, escreveu um livro, The Quest for Legitimacy in Chinese Politics [A busca da legitimidade na política da China], que é, em minha opinião, o mais extraordinário esforço, em décadas, para reduzir a distância político-histórica que divide Ocidente e Oriente. É impossível, numa coluna curta, fazer justiça à relevância das discussões que esse livro inspira. Destacaremos, aqui, algumas das questões principais, esperando que atraiam o leitor informado – especialmente os habitantes do Departamento de Estado, na Av.  Beltway  [1]  , agora convulsionados por vários graus de sinofobia. Xiang ataca direto a contradição fundamental: a China é amplamente acusada, pelo Ocidente, de falta de legitimidade democrática, exatamente porque desfruta de boom econômico de quatro décadas, sustentável e histórico. Ele identifica duas fontes principais do problema chinês: “Por um lado, há o projeto de restauração cultural por meio do qu...