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Em tempos de Revolução 4.0, a multiplicação de olhos no controle biopolítico

Itamar Soares Veiga observa que “precisamos de tecnologia para realizar processamento, então a tecnologia deve ser compreendida como um dos dispositivos de controle em geral” Houve um tempo em que os avanços tecnológicos eram estimulados sob a perspectiva de que o ser humano seria diletante, tornando-se muito mais dado à liberdade. Mas não é de hoje que se percebe que a chamada Revolução 4.0 tem forte e profundo impacto em áreas como, por exemplo, a do trabalho, seja substituindo mão de obra, seja fazendo com que seres humanos produzam ainda mais. O professor Itamar Soares Veiga ainda alerta para outra face dessas profundas transformações: o controle. “A tecnologia está muito bem afeita ao controle biopolítico. Isto se deve a um motivo simples: a existência de um grande número de informações que devem ser processadas por alguém (ou grupo) que deseja compreender um contexto e controlá-lo”, aponta. Ou seja, a tecnologia faz multiplicar olhos, em que somente eles são capazes...

A QUALIDADE DA DEMOCRACIA ESTÁ EM DECLÍNIO EM MUITOS ESTADOS INDUSTRIALIZADOS

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Um estudo publicado pela Fundação Bertelsmann conclui que a qualidade da democracia está em declínio em muitos estados industrializados, tendo os seus padrões de qualidade vindo a ser deteriorados ao longo dos anos. Globalização, desigualdade social e protecção do clima - dados os enormes desafios enfrentados pelos países da OCDE e da UE, é de se esperar reformas mais vigorosas. No entanto, como as nossas conclusões mostram, a erosão dos padrões de democracia e a crescente polarização política estão a dificultar a implementação de reformas sustentáveis. A qualidade da democracia na OCDE e na UE diminuiu nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a crescente polarização política tornou o trabalho quotidiano da governação e, portanto, a capacidade de reforma dos estados membros mais difícil. Os governos de vários países, como os Estados Unidos, a Hungria e a Turquia, estão deliberadamente a alimentar as tensões sociais em vez de procurar consenso num esf...

O esgotamento da política como efeito inevitável da globalização

Reconfiguração do campo político não significa o seu fim, mas a necessidade de repensar práticas e formas de organização, frisa Sérgio Villalobos-Ruminott. Fascismo contemporâneo “não opera em nível cognitivo-categorial”, mas nos afetos e na sua manipulação midiática Em nossos dias, a tendência é “identificar o fascismo com movimentos de direita, no sentido tradicional. Mas é aqui que devemos começar a ser mais precisos, pois o fascismo cruza o campo social de maneira transversal e horizontal, penetrando nos corpos, como diria Foucault, e não apenas mediante a interpelação doutrinária”, observa o sociólogo chileno Sérgio Villalobos-Ruminott, professor da Universidade de Michigan, Estados Unidos. Em sua análise, “o fascismo contemporâneo não opera em nível cognitivo-categorial, mas em nível dos afetos e de sua manipulação midiática, produzindo clichês emotivos e formas identitárias da política. Um dos afetos mais poderosamente mobilizados pelas novas lideranças de direita é, precisa...